terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ação do Passo de Yapeyú (21 de setembro de 1816)


Após ter atravessado o rio Uruguai a 12 de setembro, o chefe oriental André Artigas, Andresito, montou sítio à vila de S. Borja, a capital das Missões orientais, no dia 21, ameaçando o flanco direito das forças da capitania do Rio Grande.
Nesse mesmo dia, o tenente coronel José de Abreu impediu a passagem de reforços, um pouco mais a sul, comandados por Pantaleón Sotelo, iniciando uma gesta de cerca de um mês onde liderando cerca de 600 militares, destacados da força principal pelo general Joaquim Xavier Curado, fez prodígios de valor até que finalmente aliviou e quebrou o sítio a S. Borja.

A Visão Portuguesa

Parte Oficial do Tenente-Coronel José de Abreu, sobre o ataque do Passo de Iapejú, ao Tenente-General Commandante das Tropas Portuguezas na Fronteira.

José de Abreu
Illmo. e Exm Sr. — Dou parte a V. Exc. que hontem, 21 do corrente [setembro de 1816],tive a fortuna de chegar ao Passo do Iapejú sem ser sentido do inimigo; e atacando o Acampamento que estava sobre o mesmo Passo, não teve o inimigo mais tempo (apezar de ter muitas canôas) que de passar a primeira barcada de tropas. O resto entranhou-se pelo mato contra a barranca do Ibicuhy [rio Ibicuí]; e por toda a margem do Rio se atiravam a nado aos 10 e aos 20, para passarem ao outro lado. Como o mato é alli muito espesso, não lhe pude fazer maior damno, apezar de ter mandado entrar a perseguil-o a Infantaria e alguns Milicianos, os quaes trouxeram prisioneiros 2 homens e algumas mulheres, e os cavallos dos que se lançaram ao Rio; e assim mais 1.500 rezes, e 25 cavallos que tinham no potreiro, defronte a Iapejú, d’onde os estavam passando. 

Como a tropa que entrou no mato participasse que navegava pelo Ibicuhy acima uma frota de canôas, conduzindo tropas inimigas em numero de 200 homens, mais ou menos, mandei o Capitão de Dragões José de Paula Prestes que com o seu Esquadrão examinasse a costa d’este Rio: este Oficial avistou o inimigo no Passo de Sancta Maria, junto á Barra do Ibicuhy, com grande numero de tropas, fazendo a passagem para a Província de Missões; e como lhe houvesse eu ordenado que não arriscasse o seu Esquadrão, ele me participou o que observava, e de que 200 homens do inimigo lhe faziam frente na barranca do Rio, e duas barcas canhoneiras lhe faziam fogo do meio do mesmo Rio. 

Marchei então para aquelle logar com ligeireza, deixando unicamente de guarda á bagagem um Esquadrão de Milicianos do Rio Pardo. Chegando alli, conheci a precisão de fazer uma picada no mato, para metter a Artilharia até á margem do Rio, e logo puz em pratica esta operação, que consegui com brevidade; e mettendo a Infantaria e Artilharia pela picada, cheguei á borda do dito Rio, d’onde avistei o inimigo quasi todo já do outro lado, tendo passado com o auxilio das suas grandes Barcas. 

Estas, logo que nos avitaram n'aquele ponto, começaram a fazer-nos vivo fogo de bala e metralha, que felizmente para nós foi sem efeito. Como a extensão e grande largura do Rio inutilisasse o meu fogo de mosquetaria, mandei fazer fogo de Artilharia sobre o inimigo, o qual produziu algum efeito, arruinando uma das Barcas, e fazendo fugir da praia o inimigo que estava da parte d’além. 

Paso de Yapeyú, no rio Uruguai
Tendo depois d'isto observado que a Cavallaria inimiga se movia por aquella margem, buscando a Barra, e que as Barcas recebiam tropas, e com ellas navegavam pela mesma direcção, ordenei ao Tenente Floriano dos Sanctos, do Esquadrão de Entre Rios, que marchasse com a metade do dito Esquadrão a occupar outro Passo abaixo, para d’alli fazer fogo ao inimigo. Com efeito chegou lá este Corpo a tempo de fazer algumas descargas sobre as Barcas que passavam; mas logo as canhoneiras se apresentaram, e com o seu fogo protegeram a retirada e passagem do resto. Não tendo eu canôas para com ellas levar adiante as minhas operações n’este dia, retirei-me para o logar da bagagem, e o inimigo pôde repassar o Uruguay.

Fonte
Diogo Arouche de Moraes Lara, “Memória da Campanha de 1816”, in: Revista trimensal de historia e Geographia, ou, Jornal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, n.º 27, Outubro de 1845 pp. 275-276


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A Visão Oriental

Carta de Justo Yegros a Andrés Artigas. Le entera de un encuentro que ha tenido  con el enemigo en momentos en que se aprestaba a pasar el IBICUY en los corsarios con la tropa del Comandante Pantaleón Sotelo.

[Pueblo de la Cruz, setiembre 23 de 1816.]


Con esta fecha noticio a VS. q.e en el momento q.e me reuní con el comandante D. Pantaleon Sotelo para pasar su tropa delotro lado lo verificamos con los corsarios por el arroyo del vicuy el día veinte del q. gira y en virtud de no haver concluido deparar un corto trozo de Cavallada, tubimos q.e aguardar el día Siguiente, 

/ luego q.e se concluyo dicho trabajo y q.e nos pusimos en franquia se nos presentaron los Enemigos en el mismo paso con dos piezas de Tren del Calibre de a 4, luego q.e estos tomaron el monte principiaron a dirijir sus fuegos de cañon a los Buques y tropa q.e sehallaban destelado; 

/ inmediatamente determiné se hiciera safarrancho abordo y rompi el fuego con los corsarios asta tirarles noche cañonasos contestandome ellos con seis deBala raza; en nuestra Gente no se esperimento ninguna desgracia y al ber el  fuego de los Enemigos no sehoia mas voz q. era el de mueran los tiranos q. nos intentan oprimir.

/ Seguidamente determiné salieran los Buques fuera del arroyo del Bicuy para lo qual nos habian preparado nuebamente una Embozcada de Cavalleria a esperar nos aproximaramos a la Costa para lograrnos, esta intencion nunca les surtió Efecto alguno pues con motivo de hir siempre una canoa armada con un cañon a labanguardia fueron descubiertos pues rompieron un fuego vivo afucileria y la canoa les correspondió con un cañonazo ametralla; 

/bisto esto trate de entrar por un pequeño arroyo q. está cituado enla misma arroyo delaBicuy por donde pude conseguir el salir con los Buques ybolber a reunirme con D. Pantaleon Sotelo.Yo he llegado ayer veinte y dos al Pueblo dela Cruz a las tres menos quarto a la mañana en donde mehallo componiendo el falucho q.e enteramente esta haciendo agua luego q.° se componga q.° sera muy brebe Sigo mi precipitado Biage a Donde VS. se halla.

Saludo a VS. con todo mi afecto Pueblo dela Cruz 23, de Sepbre de 1816.

Justo Yegros

Fonte: Archivo Artigas

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Ação de José de ABREU sobre Pantaléon SOTELO. Passo do rio Uruguai, defronte da cidade de YAPEYÚ. 
Forças Portuguesas (Capitania do Rio Grande)
5 esquadrões Cavalaria (1 da legião de São Paulo, 1 de Dragões, 1 de Milícias do Rio Pardo, 1 de milícias de Entre-Rios e 1 de milícias Guaranis.) = 513 praças. 
SOTELO já tinha passado o rio, “e estavam acampadas sobre a margem esquerda, protegendo o desembarque do resto”.

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