segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MEMÓRIAS: O jovem marquês de Fronteira e o desfile da Divisão em Lisboa a 18 de dezembro de 1815

Praça do Rossio, no primeiro quartel do século XIX. 



Numa das memórias mais conhecidas referentes a este momento histórico, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 7.º marquês de Fronteira (1802-1881), relembra em 1861 as emoções invocadas pelo desfile de 18 de dezembro de 1815, 46 anos antes, com que a Divisão de Voluntários Reais se despedia de Lisboa, e a que assistiu com a tenra idade de 13 anos. 

Carlos Frederico Lecor, comandante da Divisão destinada ao Brasil, havia sido não só o ajudante de ordens do Marquez de Alorna, entre 1805 e 1808, mas era um amigo devotado da família e da inteira confiança de D. Leonor, a 4.ª marquesa de Alorna, especialmente durante o seu exílio em Londres, por ordem da Regência.


«A Divisão de Voluntários de El-Rei, antes de embarcar para o Brazil, formou em grande parada na praça do Rocio, debaixo do commando do seu General em chefe, [Carlos Frederico] Lecor. Os Governadores do Reino assistiram à parada na varanda do palacio da Regencia. A Divisão era o corpo mais brilhante que tem sahido das fileiras do Exercito portuguez. Tanto os officiaes, como os soldados, eram jovens, mas aguerridos, tendo feito todas ou parte das campanhas da Guerra Peninsular. O uniforme era dos mais elegantes que havia nos exercitos da Europa: o antigo uniforme dos nossos caçadores, que tinha reputação de elegância, entre os entendedores.
O General Lecor era o typo dum verdadeiro soldado e seguia-o um brilhante Estado Maior.
As duas Brigadas de Caçadores eram commandadas por dois jovens Generaes que fizeram a Campanha Peninsular com grande distincção, os Brigadeiros [Jorge de] Avillez [Zuzarte Ferreira de Sousa] e [Francisco Homem de Magalhães Quevedo] Pizarro.
Minha avó [D. Leonor de Almeida Portugal, 4.ª marquesa de Alorna (1750-1839)] estava comnosco, nas minhas casas do Rocio, onde foi visitada pelo antigo Ajudante de campo de seu irmão, General Lecor, accompanhado de muitos officiaes que tinham servido com meu tio, entre elles o General [Francisco de Paula] Azeredo [Teixeira de Carvalho] que ha pouco morreu. Tristes recordações seriam as de minha Avó, ao despedir-se d’aquelles officiaes, lembrando-se de que, poucos annos antes, os tinha visto naquella mesma praça, fazendo parte da Divisão de Alorna, do commando de seu irmão e meu tio, o Marquez de Alorna.
Foi a ultima vez que vimos o General Lecor.
A partida para o Brazil d’esta bella Divisão produziu no publico um triste effeito. Antes d’isto, havia partido um quadro consideravel de officiaes debaixo das ordens do Coronel de cavallaria, Visconde de Barbacena, indo nelle meu cunhado D. Gastão da Camara, hoje Conde da Taipa.
A Divisão de Voluntários de El-Rei levava um numero consideravel de officiaes distinctos e pretencentes à primeira sociedade do paiz. O Coronel João Carlos de Saldanha, hoje Duque de Saldanha, fazia parte do Estado Maior do General.
O povo, impressionado pelas repetidas requisições de gente e de dinheiro para o Brazil, principiou a murmurar seriamente e a agitar-se.»

Fonte:
Memórias do Marquês de Fronteira e Alorna D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (ditadas por êle próprio em 1861), (Coord. Ernesto de Campos de Andrada) Coimbra, Imprensa da Universidade, 1926, pp. 152-153. [disponível em http://purl.pt/12114, Biblioteca Nacional Digital]

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

MEMÓRIAS: Apontamentos históricos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se occupou a Banda Oriental do rio da Prata desde 1816 até 1823



Apontamentos históricos a respeito dos movimentos e ataques das forças do comando do general Carlos Frederico Lecor, quando se occupou a Banda Oriental do rio da Prata desde 1816 até 1823 com que a Divisão dos Voluntários Reaes evacuou a praça de Montevidéu (Por uma testemunha ocular)

[As memórias de João da Cunha Lobo Barreto, que foi em tenente de caçadores na Divisão de Voluntários Reais.]

veja as fotos em 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Estado Maior: Carlos Frederico Lecor


O Tenente general CARLOS FREDERICO LECOR, primeiro filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 6 de outubro de 1764, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua do Pé de Ferro, vizinha do convento das Trinas do Mocambo. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. Após os estudos iniciais, terá trabalhado como caixeiro na companhia do tio, assim como viajado pelo norte da Europa, mas preferiu alistar-se e jurar bandeiras, aos 29 anos, como soldado de artilharia Pé de Castelo, na Fortaleza de São João do Registo da Barra de Tavira, a 13 de outubro de 1793. 

Subalterno
A 17 de março de 1794, já sargento, é promovido a Ajudante de infantaria com exercício na Praça de Vila Nova de Portimão pelo Capitão General dos Algarves, que já havia patrocinado os seus três irmãos meses antes, recebendo a sua carta patente de ajudante, a primeira como oficial, a 6 de abril. 


A 5 de outubro de 1794, é admitido na Real Academia de Marinha, como discípulo do primeiro ano do curso de Marinha, tendo sido ‘plenamente aprovado’ no exame de admissão. A 2 de dezembro desse ano de 1794, troca com o 1.º tenente António Pimentel do Vabo e torna-se o 1.º tenente da 9.ª companhia do Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro. 
Entre Portimão e Lisboa, conclui o 1.º ano na Real Academia, sendo aprovado no exame final, por volta de Junho, estando assim habilitado “a ouvir as Liçoens do segundo anno”,o que não vem a fazer, pois nos finais de dezembro, embarca na Esquadra do Brasil
Até julho de 1796, serve como 1.º tenente de artilharia, destacado do seu regimento, na nau Príncipe Real. Viaja de Lisboa a Salvador, retornando já em 1796. Segundo é referido por algumas fontes, ficou de baixa ao serviço a partir de junho de 1796. 

Capitão nas Tropas Ligeiras
A 1 de março de 1797, é promovido a capitão da 8.ª companhia de infantaria da Legião de Tropas Ligeiras. Participa na campanha de 1801, a Guerra das Laranjas, na fronteira de Zibreira, próximo a Castelo Branco. A 13 de maio de 1802, é promovido a sargento mor de cavalaria da Legião. 

Estado Maior
Três anos depois, a 1 de agosto de 1805, é promovido a tenente coronel agregado à Legião, ajudante d’ordens do novo Vice Rei do Brasil, o marquês de Alorna. Apesar de Alorna não tomar posse do comando no Brasil, Carlos Frederico mantém o exercício junto a Alorna, que vem a ser nomeado Governador d’Armas do Alentejo. Antes de se reunir ao seu general, Lecor comanda interinamente a Legião, até que o barão de Wiederhold assume o comando.


Punhete, junto ao Tejo.
Em 1807, é Lecor o oficial que identifica as forças francesas já bem dentro de Portugal, em Vila Velha de Ródão, a 21 de novembro, correndo a avisar o Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, D. António de Araújo Azevedo, e o Príncipe Regente D. João, o que consegue fazer pela manhã de 23, em Lisboa. O seu relatório e posterior reconhecimento na área do Cartaxo e Golegã foi essencial para acautelar a plena segurança do embarque da Corte. 

Depois de 29 de Novembro, mantém-se como ajudante d’ordens do marquês de Alorna, colaborando com a ocupação francesa, até que foge, na Páscoa de 1808, em direção à esquadra britânica do almirante Sir Sidney Smith, para tomar o exílio em Plymouth. Após a revolta e criação da Junta do Porto, o tenente coronel Lecor desembarca no Porto, com a incumbência de promover a formação do 2.º batalhão da Leal Legião Lusitana, que havia ajudado a criar em Plymouth e Londres. 


Exército Português Reorganizado
A 20 de novembro de 1808, no processo de reorganização do Exército, é promovido a coronel comandante do Regimento de Infantaria n.º 23, em Almeida. A 2 de fevereiro do ano seguinte, é feito comandante de brigada das unidades presentes na Beira Baixa, sedeando-se primeiro em Idanha a Nova e depois em Castelo Branco. Participa na campanha de 1809, comandando a brigada constituída pelos Batalhões de Caçadores 3 e 4, a um momento, e 4 e 6, noutro, juntamente com o 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 9. Em fevereiro de 1809, a brigada Lecor, constituída pelos Regimentos de Infantaria n.º 12 e 13, fica posicionada na serra do Muradal, em 2.ª linha face ao comando do general Roberto Wilson na área de fronteira de Castelo Branco. No mês seguinte, Lecor leva a sua brigada para Castelo Branco, substituindo a brigada Wilson. Na campanha de 1810, a brigada Lecor, com a adição de um batalhão cada dos Regimentos de Milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã, é subordinada ao general Rowland Hill, desembocando na batalha do Buçaco, a 27 de setembro de 1810, onde não combate, retirando depois até aos primeiro dias de outubro para as linhas defensivas, em Alhandra, no extremo direito, junto ao rio Tejo. 
A 5 de março de 1811, é nomeado comandante da brigada portuguesa da nova 7.ª Divisão anglo-portuguesa, mas em abril desse ano, antes da batalha de Fuentes de Honor, é de novo nomeado comandante militar da área de Castelo Branco, com os regimentos de milícias da área. Dois meses depois, a 8 de maio, é promovido a brigadeiro. Ainda no mesmo exercício, reage com muito atino, sangue frio e respeito pelas ordens na incursão francesa de abril de 1812, do marechal Marmont, sobre a Guarda e Castelo Branco, reagindo com calma e sem baixas. 

Campanhas de Espanha e França
Em março de 1813, nas vésperas do início da campanha desse ano, é novamente nomeado comandante da brigada portuguesa da 7.ª Divisão, tendo participado nas batalhas de Vitória e dos Pirinéus. A 10 de julho, é promovido a marechal de campo.  A 10 de novembro de 1813, é o comandante interino da 7.ª Divisão anglo-portuguesa na batalha de Nivelle, sendo assim o único general português em toda a Guerra Peninsular que comanda uma divisão dos dois exércitos. No início de dezembro, com a nomeação do general George Walker, retorna ao comando da agora 6.º Brigada, mas é logo nomeado comandante da Divisão Portuguesa. 
A 13 de dezembro desse ano, na batalha de S. Pierre, última parte da batalha do Nive, comanda a Divisão Portuguesa, nomeadamente a brigada do Algarve (Regimentos de Infantaria 2 e 14) no centro, ordenando até uma carga do 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 14, para desembaraçar o 1.º batalhão, de voltigeurs franceses que atacavam. É ferido sem gravidade. 
Comanda a divisão até ao fim da guerra, em abril de 1814, retornando a Portugal. È nomeado governador da praça de Elvas, em 28 de agosto.

Passa, em 1815, com 51 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente general  Comandante em Chefe, tendo sido o seu nome logo indicado na ordem de levantamento da grande unidade, enviada do governo do Rio de Janeiro, em dezembro de 1814.

Estado Maior: Miguel António Flangini


O Sargento mor (hoje, Major) MIGUEL ANTÓNIO DE PINA OSÓRIO FLANGINI nasceu na Covilhã em data que desconheço, provavelmente nos finais da década de 1780, filho de Michele Angelo Flangini e de D. Gertrudes Eugénia Pina de Osório. Em 1804, está no 2.º ano do curso jurídico da Universidade de Coimbra, e terá obtido o grau de bacharel. Em 22 de abril de 1809, ao início da Guerra Peninsular, é assistente do Quartel Mestre General, Benjamin D’Urban, como tenente da Leal Legião Portuguesa, não sabendo se se alistou na Inglaterra ou já no Porto. Um ano depois, a 12 de maio, deixa de estar agregado à LLL. Em 25 de agosto de 1812, é promovido a capitão, com o mesmo exercício. 

Passa, em 1815, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor Deputado do Quartel Mestre General.

Estado Maior: João Pedro Lecor

O Tenente coronel JOÃO PEDRO LECOR, segundo filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 7 de outubro de 1766, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua São João da Mata. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. Alista-se por volta de dezembro de 1792 ou Janeiro de 1793, no Regimento de Artilharia do Algarve, com quartel em Faro, sendo soldado da 5.ª companhia de artilheiros. Oito meses após assentar praça, é nomeado cadete (muitas vezes dito também sargento-cadete), apesar de ter mais 4 anos que a idade estabelecida no decreto de 1757. Embarca na nau S. António, em Lagos, em 10 de agosto de 1793 com os irmãos, António Pedro e Jorge Frederico, também cadetes, e as três companhias de artilheiros de Faro para a Catalunha onde participa nas operações do Exército Auxiliador. Cai prisioneiro de guerra dos franceses, entre 17 e 20 de novembro de 1794, juntos com os seus dois irmãos e mais 6 oficiais da Brigada de Artilharia, durante a batalha da Montanha Negra, e permanece em cativeiro na área de Toulose por dez meses. A 7 de outubro de 1795, de volta ao regimento, é graduado em 2.º tenente. Vai a 1 de abril de 1797 como tenente na Legião de Tropas Ligeiras, na 4.ª companhia de infantaria. No entanto acaba por retornar logo em seguida para o regimento de Artilharia do Algarve, ficando como 1.º tenente da 4.ª companhia de artilheiros. No ocaso do século, a 13 de fevereiro de 1800, é graduado em capitão, em atenção ao serviço prestado na Campanha do Roussilhão e Catalunha, e aos prejuízos sofridos enquanto esteve prisioneiro dos Franceses, mantendo o exercício de 1.º Tenente da 4.ª companhia. Na campanha de 1801, esteve incumbido de diversas diligências ao serviço de D. Miguel Pereira Forjaz, assim como foi também Ajudante de Ordens do comandante da Artilharia no Alentejo, Rosa. A 28 de julho de 1804, João Pedro casa-se com Brigida Leonor da Fonseca, na Sé de Faro. Um ano depois, a 17 de dezembro é promovido a capitão efetivo, comandando a 6.ª companhia de artilheiros. Durante a primeira invasão Francesa, entre finais de 1807 e 1808, pede a demissão do Regimento de Artilheria n.º 2, indicando numa carta de 1814 que foi o único oficial que o fez. Aquando do levantamento anti francês e criação da Junta em Faro, em junho de 1808, foi empregue como enviado da Junta, com o seu primo tenente coronel António Pedro Buys, à esquadra inglesa e depois a Cadiz e Gibraltar, por forma a adquirir víveres, armas e munições. A 17 de novembro de 1809, é promovido a sargento mor Governador da Praça de Albufeira, 35 quilómetros a oeste de Faro. Permanece nesse cargo durante a Guerra Peninsular. 

Passa, com 48 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel 1.º Ajudante d’Ordens do Comandante em Chefe.

Exército do Brasil: Bento Correia da Câmara


O Tenente Coronel BENTO CORREIA DA CÂMARA nasceu no Rio Grande do Sul, tendo assentado praça como cadete no Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 1 de março de 1795. Participa na campanha de 1801, na área de Missões, tendo sido promovido a tenente em novembro do ano seguinte. A 25 de julho de 1808, é promovido a capitão e neste posto faz a campanha de 1811-1812. É graduado em sargento mor em 13 de março de 1813, por se ter distinguido na expedição. A 12 de outubro de 1814, torna-se sargento mor efetivo do seu regimento. Em 1815, é promovido a tenente coronel agregado do Regimento de Cavalaria de Milícias de Porto Alegre. 

2.ª Brigada: Francisco de Paula Azeredo


O Coronel FRANCISCO DE PAULA AZEREDO (TEIXEIRA DE CARVALHO) nasce a 14 de janeiro de 1770, em Samodães, Lamego, o 7.º filho de Francisco António Teixeira de Carvalho e de D. Joaquina Leocádia d’Azeredo Leite e Albuquerque. Em 1785, inicia os estudos em direito canónico na Universidade de Coimbra. Em janeiro de 1792, ele, com 22 anos, e o irmão, Bernardo Correia de Azevedo, desejando assentar praça de cadetes no Regimento de Cavalaria de Almeida, mas não havendo vagas e com lista de espera, a 31 desse mês, assentam praça de cadete no Regimento de Infantaria de Almeida, sendo ambos colocados na companhia de Granadeiros. Em 1796, Francisco é porta bandeira. No ano seguinte, a 4 de abril, é promovido a alferes. 7 anos depois, a 4 de agosto de 1805, recebe a petente de tenente do seu regimento. Após a restauração, é promovido a capitão do agora Regimento de Infantaria n.º 23, a 14 de janeiro de 1809, e pouco depois é nomeado major da brigada de Lecor, destacado do regimento. A 21 de agosto de 1812, é promovido a sargento mor. Comanda o regimento em Salamanca, tendo dois cavalos mortos e duas balas que lhe levaram a espada e a barretina. A 21 de junho de 1813, na batalha de Vitória, é gravemente ferido numa perna, já no fim da ação, por ação dos tiros da artilharia francesa. É graduado em tenente coronel, pela distinção na batalha, não participando mais na campanha. 

Passa, com 45 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como coronel adido, a ser empregado como convier, tomando já no Rio de Janeiro o comando do 2.º Regimento de Infantaria.

Leia as suas memórias em https://books.google.pt/books?id=eyqyKF6NE6wC

Exército do Brasil: Joaquim de Oliveira Alvares


O Brigadeiro graduado JOAQUIM DE OLIVEIRA ALVARES nasceu a 19 de novembro de 1776, na ilha da Madeira. Tendo concluído o curso de preparatórios, matriculou-se na Universidade de Coimbra onde recebeu o grau de bacharel em matemática e filosofia. Alista-se na Armada Real, tendo sido feito prisioneiro e depois escapado. Tendo passado ao Exército, foi em 1804 para o Brasil, sendo nomeado capitão de artilharia da Legião de São Paulo. Em 1807, é promovido a sargento mor. Marchou no ano seguinte para o Rio Grande do Sul, onde, em 1810, é promovido a tenente coronel. Participa na campanha de 1811-1812 e é promovido a coronel, a 20 de fevereiro de 18012. Em 1814, é graduado em Brigadeiro, assim se mantendo até 1816.

Exército do Brasil: João de Deus Mena Barreto


O Brigadeiro graduado JOÃO DE DEUS MENA BARRETO nasceu em 1769, no Rio Grande do Sul, filho do coronel João de Deus Barreto Pereira Pinto. Alistou-se no Regimento de Dragões do Rio Pardo, tendo galgado os postos de oficial subalterno. Participou na campanha de 1801, tendo sido promovido a sargento mor. A 23 de julho de 1808, é promovido a tenente coronel. Em 1811, é destacado para o comando do território de Missões. A 20 de janeiro de 1813, é promovido a coronel do Regimento de Cavalaria de Milícias do Rio Grande, e a 13 de maio do mesmo ano, é graduado em Brigadeiro, assim se mantendo até 1816.

1.ª Brigada: Jerónimo Pereira de Vasconcelos


O Sargento mor JERÓNIMO PEREIRA DE VASCONCELOS nasce a 31 de julho de 1792, em Ouro Preto (então, Vila Rica), em Minas Gerais, filho de Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos, Juiz do Crime no Rio de Janeiro e cavaleiro da Ordem de Cristo, e de D. Maria do Carmo de Sousa Barradas. Assenta praça e foi nomeado cadete do Regimento de Cavalaria de Minas Gerais. Em junho de 1808, estava a estudar na Universidade de Coimbra. A 14 de setembro desse ano, é promovido a tenente do Batalhão de Caçadores n.º 8. Está presente na batalhas do Buçaco, em 1810, e de Fuentes de Honor, no ano seguinte. Dois meses depois, a 25 de julho de 1811, é promovido a capitão do recém-criado Batalhão de Caçadores n.º 12. Está presente na batalha de Salamanca/Arapiles, em 1812. 

Passa, a um mês dos 23 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como sargento mor do 1.º Batalhão de Caçadores.

Exército do Brasil: Sebastião Barreto Pereira Pinto


O Sargento Mor SEBASTIÃO BARRETO PEREIRA PINTO nasceu em Porto Alegre, no ano de 1775. Assentou praça e foi reconhecido cadete do Regimento de Dragões do Rio Pardo, a 18 de outubro de 1791, com 16 anos. Após ter participado na campanha de 1801, com menções nas ordens de dia regimentais, ficou na guarnição de Rio Pardo e Missões, sendo promovido de alferes a tenente, no ano seguinte, a 14 de novembro. Após seis anos, é promovido a capitão, em 25 de julho de 1808. Faz a campanha de 1811/1812, participando no combate de Itapebuhy (Itapeti Grande), sendo graduado em sargento mor a 13 de Maio de 1813, dia do aniversário de SAR o Príncipe Regente. No ano seguinte, a 12 de outubro, é promovido a sargento mor efetivo. Com 41 anos, comanda o regimento nas batalhas de Carumbé (27.10.1816) e de Catalán (4.1.1817).

2.ª Brigada: João Crisóstomo Calado


O Tenente coronel JOÃO CRISÓSTOMO CALADO nasce a 24 de março de 1780 em Elvas, filho do coronel Manuel Joaquim Calado e de D. Maria Joaquina Nobre. A 26 de março de 1795, dois dias depois de fazer 15 anos, assenta praça como cadete do Regimento de Infantaria de Campo Maior. Poderá ter sido declarado cadete aos 11 anos, em 1791, mas só começa a servir nesta altura. Participa na campanha de 1801. Entre 1802 e 1805, cursou Matemática. É promovido a tenente a 5 de fevereiro de 1805, patente com que se demite do serviço em 1808. Após a evacuação dos franceses, apresenta-se à Junta de Campo Maior e ajuda a restabelecer o Regimento de Infantaria n.º 20. Dois anos depois, a 12 de dezembro de 1810, é promovido a capitão. A 29 de janeiro de 1812, é graduado em sargento mor pela sua conduta na batalha de Chiclana. A 29 de novembro desse mesmo ano, é confirmado como sargento mor. 

Passa, com 26 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 4.º Batalhão de Caçadores.

1.ª Brigada: António José Claudino de Oliveira Pimentel


O Tenente coronel ANTÓNIO JOSÉ CLAUDINO DE OLIVEIRA PIMENTEL nasce em 1776, em Torre de Moncorvo, filho de João Carlos de Oliveira Pimentel, capitão mor de ordenanças de Moncorvo, e de D. Violante Engrácia de Silva Torres. Após adquirir a instrução básica, vai para Lisboa para continuar os estudos. A 26 de maio de 1795, assenta praça como cadete no Regimento de Cavalaria de Alcântara. Nesse mesmo ano oferece-se como voluntário na Esquadra que escoltou o Exército Auxiliar na Catalunha e Rossilhão e torna-se artilheiro da Brigada Real de Marinha tendo servido, entre 1795 e 1802, em diversas esquadras do Brasil. A 9 de junho de 1802, é promovido a 2.º Tenente agregado, incerto se ainda na Brigada Real de Marinha se já tendo passado ao Exército. A 4 de novembro do ano seguinte, é promovido a tenente agregado do Regimento de Infantaria de Bragança, e a efetivo, pouco mais de um ano depois (6 de janeiro de 1805). Em 1807, inscreve-se na Real Academia de Marinha, frequentando o curso de matemática. Em Junho de 1808, apresenta-se ao general Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda e, a 23 de setembro do mesmo ano é promovido a capitão do seu regimento, de Bragança, agora o n.º 24. A 22 de junho de 1810, é nomeado ajudante d’ordens do marechal de campo Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, em Trás-os-Montes. Está presente em Puebla de Sanabria, a 10 de agosto, e foi promovido a sargento mor, a 17 de agosto, “por haver conduzido a Águia do Batalhão Suiço, que capitulou ”ao quartel general do marechal Beresford. A 3 de agosto de 1813, é nomeado sargento mor do Regimento de Infantaria n.º 5, que estava aquartelado em Elvas, onde permaneceu até ao fim da guerra. 

Passa, com 29 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como tenente coronel comandante do 3.º Batalhão de Caçadores.

2.ª Brigada: Francisco Homem de Magalhaes Quevedo Pizarro


O Brigadeiro FRANCISCO HOMEM DE MAGALHÃES QUEVEDO PIZARRO nasce em Bobeda, Chaves, a 27 de setembro de 1776, filho de José da Silva Cardoso Pizarro, capitão de Cavalaria e fidalgo da Casa Real, e de D. Henriqueta José Gabriela de Quevedo. Assenta praça como cadete, no Regimento de Cavalaria de Chaves, em 1790 ou 1791. Dois anos depois, a 2 de agosto de 1793, passa à Armada Real, como Aspirante a Guarda Marinha; a guarda marinha, a 27 de novembro de 1794, e a segundo tenente, a 10 de novembro de 1796. Em 1799, é promovido a primeiro tenente e participa, em 1801, nas expedições navais de Tripoli e Malta, embarcado na Nau Afonso de Albuquerque. A 23 de maio de 1804, sai da Armada e volta a casa sendo nomeado tenente coronel agregado do Regimento de Milícias de Chaves. A 1 de fevereiro de 1809, passa ao Quartel General do tenente general Bernardim Freire de Andrade, em Braga. A 28 de setembro de 1809, é submetido a Conselho de Guerra, que decorreu na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, sob a acusação de “querer defender a Praça de Chaves contra a ordem do General Silveira, e não fazer depois a defeza possível, que devia”. Foi julgado inocente, e mandado entrar no exercicio do seu posto, o de tenente coronel do Regimento de Infantaria n.º 12, com antiguidade de 10 de fevereiro. A 24 de agosto de 1812 é graduado em coronel e, a 11 de novembro do mesmo ano, passa a coronel efetivo do Regimento de Infantaria n.º 16. Durante a camapnha de 1813, esteve presente nas batalhas de Vitória, Pirinéus, S. Sebastian, Nivelle e Nive, onde, a 10 de dezembro, reagindo a uma carga de cavalaria inimiga, é atropelado e feito prisioneiro. 

Passa, com 39 anos, à Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, como brigadeiro comandante da 2.ª Brigada de Voluntários Reais.

sábado, 9 de janeiro de 2016

CRONOLOGIA (I): Da criação a Santa Catarina (7.12.1814 – 14.6.1816)

CRONOLOGIA DA DIVISÃO DE VOLUNTÁRIOS REAIS
I Parte: Da criação a Santa Catarina

7.12.1814 – Plano de Organização de uma Divisão de Tropas Ligeiras, é enviado do Rio de Janeiro (SENegGuerra);
9.12.1814 – Carta(s) do Marquês de Aguiar para Marquês Monteiro-mor, dando conta do PODTL e a atribuição do comando a Lecor;

2.1.1815 – Carta de Beresford a Forjaz, indicando que Lecor deve ser enviado para o Governo d’Armas do Alentejo.

15.5.1815 – Ordem do Dia (PT): ‘verdadeira certidão de nascimento” da DVR (Queiroz, 1984)
30.5.1815 – Publicado o plano de formação da DVR e atribuição de Comandos superiores e Estado-Maior;
24.6.1815 – Promoção geral da DVR;

25.9.1815 – Carta de Forjaz a Lecor e outros, acerca dos Cadetes, apelando ao estrito cumprimento do determinado.
30.9.1815 – Beresford chega ao Rio de Janeiro;
10.10.1815 – Organização da Artilharia;
19.11.1815 – Ordem do Dia, por proposta de Beresford, que se criassem o 1.º e 2.º Regimento de Infantaria; estipula também que um dos regimentos usaria canhões e gola azul clara, e o outro canhão e gola amarelo;
16.12.1815 – D. João eleva o Brasil a Reino;
18.12.1815 – Parada e desfile em Lisboa (zona do Rossio e Terreiro do Paço)
20.12.1815 – 8:00, Brigadas de Infantaria marcharam de Belém para o Arsenal da Marinha. Às 2:oo, tudo embarcado.

15.2.1816 – 7:00, Deram à vela de Lisboa, 14 navios mercantes:
Nau Vasco da Gama, Charrua S. João Magnânimo + Caridade, Flor do Tejo, Ásia Grande, Fénix, S. José, São Tiago Maior, Comerciante, Rússia, L’Orient, Balão, Princesa, Príncipe D- Pedro e Pérola;
21.2.1816 – Avistaram a Madeira;
1.3.1816 – Ordem do Dia (Queiroz, 1984) que manda criar os 2 regimentos de infantaria a 10 companhias, e 2 BatCaç a 6 companhias;
19.3.1816 – Falece a rainha D. Maria;
23.3.1816 – Enterro (noite);
29.3.1816 – Avistaram a Ponta de Cabo Frio;
30.3.1816 – Esquadra entra na baía de Guanaraba;
31.3.1816 – O 4.º BatCaç cantou um hino composto pelo Cap. Duarte de Cardoso e Sá, na Nau Vasco da Gama, quando o rei passa por eles;
4.4.1816 – DVR desembarca na Ribeira , marcharam até ao Largo do Paço em coluna de pelotões, e grande parada;
13.5.1816 – Aniversário real. Grande parada no Campo de D. Helena;
14.5.1816 – Ordem do Dia alterando o nome da unidade para Divisão de Voluntários Reais d’El-Rei; em princípio, foi lida no dia anterior (Queiroz, 1984);
5.6.1816 – Lecor nomeado Capitão General de Montevidéu;
7.6.1816 – 6.ªfeira, Inicia-se o embarque da infantaria da DVR;
12.6.1816 – Esquadra zarpa para S. Catarina;

14.6.1816 – A Academia de Ciências de Lisboa nomeia Lecor como correspondente
Este habil General fez vaccinar muitos dos seus Soldados nos ultimos dias da sua partida, e deo as ordens necessarias, para que a vaccinação continuasse durante a viagem”;

26.6.1816 – Esquadra chega a S. Catarina;

(continua)